quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Uma pena pena de corvo e tinta negra

"É com carinho que dedico este livro à minha sobrinha favorita, Lucy, pois foi ela que fez com que a poeira de cadaveres ainda presa no meu coração desisti-se de me derrotar e ir se embora. Que os anjos cuidem da minha pequena."


Hoje peguei numa folha, numa pena negra e em tinta negra. O primeiro paragrafo demorou a sair mas depois foi tudo saindo, sem pensar, apenas escrevendo o que queria, o que me vinha a cabeça e julgava ser o melhor. Sei bem sobre o que pensar, talvez nela, talvez nele, pois claro tinha que haver uma segunda opção, como há sempre. Ela pelo tempo que viveu ao pé de mim não teve hipótese sequer de saber o que sentia por ela, talvez tenha partido com um vazio no coração..talvez não. Já ele, ele soube bem, sempre soube, planeou tudo, como se soubesse o futuro e deixou-me, sem ninguém...?
Posei a folha e vi que já tinha escrito uma folha inteira. Nem a li, apenas peguei numa vela, e queimei-a. As chamas vivas eram lindas, a única coisa linda naquele sítio horrível. E ardeu, ardeu e desfeche em cinzas, tal como fiz contigo.

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