quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O nascer de alguma merda que se acha importante

 "E encostei-me à parede gelada a tremer da cabeça aos pés. Sentia o frio a percorrer-me os ossos e o calor a desaparecer. Passeavas ao pé de mim, de um lado para o outro, Nem olhavas para mim, apenas passavas e murmuravas algo que só o vento poderia ouvir. Nem me olhaste, nem me perguntaste se estava bem. Entrei na casa de pedra e senti o calor a voltar, talvez fosse porque não estavas perto, sim era isso. Senti ela a chegar, caí no chão uma ultima vez, o meu corpo tinha gelado completamente, ela chegara tão cedo. Vi-te pela ultima vez, atrás de mim. A morte chegara.

Acordei. Luzes. Vi-te a meu lado, estavas a dormir e a agarrar-me ao mesmo tempo. Sorri e chorei ao mesmo tempo, não me tinhas deixado morrer, tinhas-me salvo, tinhas-me dado o teu calor, tinhas-me dado alegria. Tudo o que queria estava naquele momento comigo: um sitio a que podia chamar casa e alguém a quem pudesse  chamar amor. Naquele momento só queria gritar, rir, beijar-te, mas estavas a dormir, inconsciente no meu colo. Decidi encostar-me a ti, adormeci e não voltei a acordar, pois sim, estava no paraíso, tinha morrido e estava preso num sonho eternamente.


"Acorda!" disse.
Abri os olhos e vi-te. Estávamos no meio da rua e tu choravas imenso enquanto me tentavas acordar. Apercebi-me que estava sentado ao teu colo e que tinha o teu casaco em cima de mim. Agora estava quente e conseguia mexer-me bem. Viste-me acordar e com as lágrimas nos olhos abraçaste-me. Tinha desmaiado e tinha acordado de um pesadelo para entrar num ainda maior.

Estão a ver aqueles sonhos em que sonham que tem o momento perfeito com a pessoa perfeita? Pronto, não passam de sonhos."

por maurosantos (texto imaginário)

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