sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Uma pérola branca e um rasgão num coração real

A madeira do chão estava molhada com cerveja. Sentei-me no banco junto a banca da taberna e pedi o habitual: uma cerveja. A taberna estava como sempre, animada. Havia os marinheiros a um lado reservando as suas conversas 'marítimas' para eles próprios, havia do outro lado os animadores ou os bêbados, como preferirem chamar. Entre eles haviam casais e amigos que se encontravam ali para beberem um cerveja e conversar. A música tocava lentamente, estava a dar Shalor eny mallor, uma música triste.
A música parou quando me aproximava do piano de cauda velho. As teclas pareciam sempre novas e profundas, era o desejo de qualquer pianista tocar num piano como aquele. Comecei a tocar a Sarah, cantando um pequeno poema que sabia desde pequeno:

Ao luar das estrelas
fitando o mar
emerge o vulto de Sarah
seduzindo-me para a amar.

Como as forças das marés
os homens lutam pela sua vida.
ninfas nascem das rochas
para se alimentar do seu prazer.
Comida de abutre
afim a renascer.

Parei e fui aplaudido, como sempre.
-Hei, marujo, conta-nos aí uma história, hem!
-Muito bem - bebi um gole de cerveja - Vou contar uma pequena história.
O silêncio percorreu a pequena taberna e comecei a história:
-Ele caminhou entre rochas e neve, andou em cima de lagos de gelo, passou por pinhais de árvores queimadas, mas nunca perdeu a esperança...
Dava em louco todos os dias. Não tinha nada para além da roupa quente que trazia vestido, e não parava, fizesse frio fizesse quente, ele não parava de andar. Tinham-lhe cortado a mão esquerda, tinham-lhe arrancado três dentes, mas o que até aquele dia que doí-a mais era o coração partido. Caminhava entre as pedras e gelo e descia vales e montanhas. Todas as noites chorava a perda do seu amor.

Vinte anos antes. 

Ele vi-a correr as estradas de pedra sem parar. Os seus olhos verdes reflectiam o sol brilhante e a sua pele era tão clara como neve. Era bela, sim, era a donzela mais bela que os seus olhos tinham visto.
Uma certa noite, encontro-a. Estava de vestido branco e usava um colar de pérolas brancas. Estava tão bela como a noite que nenhum homem a conseguiria resistir. Puxou-a por um braço e caminharam juntos ao luar. Ela sabia e sorria-lhe, sorria-lhe como não sorria para outro homem, porque para ela, aquele jovem com que passeava, era o que se diz hoje em dia "amor para sempre".Todas as noites se encontravam e todas as noites se iam aproximando um pouco um do outro. Falavam sobre tudo, desde arte a sexo, nunca tirando os olhos um do outro. Era tudo como uma pequena história de encantar, sem o 'lobo mau', sem mortes, apenas com o 'cavalo branco' e um amor interminável. Era tudo belo, era, até que tudo terminou num estalar de dedos.
Era uma noite de lua cheia e ele voltou a encontrar-se com ela. Enquanto falava os lábios dela iam-se aproximando cada vez mais dos dele, até que num impulso de amor, se beijaram. Era como uma vista para o paraíso, era simplesmente bonito de se ver. Acabaram de se beijar e ele encostou a cabeça ao ombro dela e sussurrou: "amo-te".
Enquanto passeavam nos jardins os guardas foram ter com eles e separaram os dois jovens. Gritavam. Ele batia nos guardas mas não conseguia pô-los abaixo, tentava correr, mordia-lhes, enquanto a única coisa que via era o seu amor a ser levado para longe de si, para não mais o ver. De súbito perdeu os sentidos e a única coisa que se lembra é de ver fogo, muito fogo.
Quando acordou apercebeu-se que estava numa cela, mas um cela feita quatro paredes, cada uma feita de rocha. Estava sentado a um canto, tinha as roupas rasgadas e sangue escorria-lhe pela face. Encostou-se a uma parede e chorou, chorou como se não houvesse mais vida nele. No dia a seguir, foi chicoteado 13 vezes e deixado a um canto quase sem roupa nenhuma e a morrer devagar. Todos os dias tinha uma sopa que sabia a nabos podres, uma malga de pão seco e uma bilha de água de esgoto. Os dias passavam e ele ficava louco, ia contanto todos as pedras da sua 'linda' casa, pois iria ficar ali até o fim dos seus tempos...

-Então?!-interrompeu um velho - Só sabes contar histórias tristes? Vê o que fizeste, a minha mulher está a chorar com a tua história!
Peguei na cerveja, dei um gole e pousei-a. Era sinal de que tinha acabado a história.












11 comentários:

  1. Os teus textos causam-me arrepios e deixam-me com cada nó na gargantaa o.o Fico emocionada com os teus textos, são lindos, têm...sentimento, emoção, são simplesmente...LINDOS! A sérioo, adoro os teus textos, adorei a história e quero mais textos assim (: Lindoo, a sérioo! (: (God, dá-me a tua inspiração e imaginação o.o xDDD)

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  2. oh, és parva xD obrigado obrigado *-* vais ter mais textos, ! :D

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  3. Muitoo, xD De nadaa *-* Fixeee, quero um para miim! ^^ (sim, porque tu andas-me a dever um testamento, eu não me esqueci o.o xDD) Ihih ;D

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  4. Gostei bastante. Parabéns, tens muito jeito para escrever. Continua assim. (:

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  5. Amei!
    Casas-te comigo e fazes o diário do nosso casamento?

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  6. olá, muito obrigado (: vou ver o teu blog :b

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